sábado, 28 de novembro de 2009

Engraçado pra caralho

Hoje as teclas do teclado estão fugindo dos meus dedos. Elas tremem e se afastam pro lado quando os dedos chegam perto. Eu estou ouvindo Hot Water Music, suando frio com dois ventiladores ligados, e nenhuma idéia na cabeça.
Eu costumava ser mais intenso e dramático. Mas hoje eu sou uma casca fina e quebradiça, tão vulgar quanto uma garrafa de cerveja se estilhaçando no asfalto. Não sei se é bom ou ruim, porque eu não gostava de mim mesmo antigamente. Ainda não gosto, mas hoje me considero ao menos menos pior. Minha música tá crua e grosseira. Meus escritos... não existe nada de novo desde o ano passado.
Há uma relação direta entre a nóia e a arte, os problemas e as composições. Hoje eu sou tão vazio e satisfeito com todas as coisas, que não produzo mais porra nenhuma. Então whatahell estou tentando expressar aqui nessa desgraça desse blog a essa hora da noite?

Antigamente eu tinha vontade de pegar uma mochila e sair por aí. E eu fazia isso. Fui parar a 1.200 Km de casa numa ilha, no meio do Atlântico racionando comida nos últimos dias. Mas hoje, eu não tenho nenhuma necessidade de escape. Eu quero ficar sentado no chão vendo a vida passar, cumprimentando as pessoas, lendo um jornal. Meu pai disse que a crise dos 21 acontece quando a pessoa se acha um bosta que já tem 21 anos e não produziu nada de importante pro mundo. Como eu sempre me achei um bosta, não passei por essa crise, pelo contrário. No último ano estive muito bem resolvido comigo mesmo.

Eu só tenho saudade de estar apaixonado, encher a cara na calçada com meus amigos, fazer poemas bêbado, pular do segundo andar, vomitar a cidade inteira, vagar de madrugada, dormir na rua e reivindicar todas as coisas a que não tenho direito. Acho que eu queria voltar a ser mais inconsequente e irresponsável.
Eu queria voltar a ter vontade de embarcar num navio e ir para o mais longe possível, a viajar sozinho de trem sem dinheiro no bolso, e a traduzir minha loucura incontida em versos, acordes e terrorismo poético.

Mas eu tô ficando velho, porra! Feliz aniversário pra mim.


sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Monstro do Mar

Se eu pudesse parar de me debater em vão
Afundaria no abismo verde dos seus olhos
Se em minha mente tempestuosa cessasse o turbilhão
A calmaria traria à tona os meus sonhos mortos

Mas eu sou fruto de uma tormenta incessante
A inquietação do caos, um navegante errante
Destruindo tudo o que vem ao meu encontro
Ondulando como a cauda de um monstro

Sou aberração marinha jogada ao solo frio
Sob a chuva de frustração e desajuste
Sou uma carcaça putrefata sem sentido
O produto torpe de um mar furioso e rude



É, eu escrevi isso quando eu tinha motivo. Não é recente. Mas é isso aí mesmo, eu gostei pra caraio desse poema.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Bad Trip

No começo do ano por um momento; por um breve momento eu fiquei obcecado por uma garota engraçada. Ela era fantástica, porém metida com uns lances militares e com repulsa a drogados, o que obviamente foi péssimo pra mim. Também, me apaixonar por alguém com tal perfil só pode ser mais um impulso masoquista inconsciente meu. O que importa nessa pequena e triste história é que aproveitei esse período de humanidade e grandes emoções para escrever mais uns versos. O objetivo disso é fazer mais uma letra para os meus projetos musicais. Infelizmente atualmente ainda sou um canalha insensível incapaz de produzir literatura decente, e minha última composição foi algo sobre esquilos voadores flamejantes e carros incinerados. Muito provavelmente ninguém lê isso aqui ainda, mas serve de registro para o Gush utilizar essa composição em alguma música caso eu morra atingido por um esquilo voador flamejante. Sequer consegui pensar num título.


A abstinência é um abismo e compreende

o desespero de não ouvir sua voz de novo

Na insensatez da minha mente dependente

Seu caminhar trinca meu quebradiço sono


E ainda que eu não queira mais a morte

Cambaleante sobre ruas decadentes

sem ter alguém que comigo se importe

Na vida junkie sob a lua entorpecente


Ainda sou um destoar na existência

O desafino das suas expectativas

Sem esperança há anos minha carne tensa

Te procurou tanto em garrafas vazias


A minha dor é não poder lhe dar as palavras certas

É não me ver refletido nos seus olhos curiosos

É te tocando ainda estar tão longe

Num mundo estranho de caminhos tortuosos.